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| Uma lenda medieval |
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Imagem: Sparth (http://sparth.cghub.com/) Conta uma lenda medieval, que lá pelo século XII, certo burgo decidiu construir um Templo que desafiasse o tempo como prova da sua fé.
Organizaram a coleta de recursos, escolheram um sacerdote para mestre de obras e embarcaram material e homens num navio, pois o Templo seria construído numa ilha do litoral daquele reino.
A construção, seguindo à risca o plano do mestre de obras, começou.
Passados seis meses, o sacerdote retornou à ilha para verificar o andamento dos trabalhos. Desceu sozinho à ilha. Era verão. Ele suava, o sol o queimava, sentia sede, os insectos importunavam, mas ele seguia sem esmorecer pelo caminho que o levaria às obras.
Na primeira curva do caminho, viu um grupo de homens ocupados em quebrar enormes pedras com pesadas marretas.
Deu-lhes “bom dia” e ninguém respondeu. Mesmo assim perguntou-lhes o que estavam a fazer. Apenas um homem, mais próximo, respondeu com uma voz sem expressão: - Aqui estamos a quebrar pedra.
O sacerdote, então, deixou-os entregues à sua tarefa e seguiu adiante.
Na segunda curva do caminho, deparou-se com novo grupo de homens a realizarem a mesma tarefa. Alguns reclamavam, outros blasfemavam; o rancor escorria de cada palavra, de cada homem.
O sacerdote igualmente cumprimentou e, para sua surpresa, foi respondido por uma meia dúzia de homens suados, cansados, feridos.
O sacerdote animou-se e perguntou-lhes o que faziam. Esta mesma meia dúzia com uma voz repleta de agonia e desesperança, respondeu: - Nós aqui estamos a construir uma parede.
O sacerdote com o coração já apertado e com o corpo castigado pelo calor, pelos insectos, pela sede e pela fome, deixou aqueles homens construtores de paredes e seguiu o caminho que o levava mais e mais ao coração da ilha.
Antes de uma última curva do caminho, ouviu vozes que cantavam uma música de suave harmonia e delicada alegria.
Curioso apressou o passo e ao dobrar a curva encontrou um grupo de homens aparentemente igualzinho aos outros dois. Todos estavam queimados pelo sol, magros, roupas em farrapos, suados, famintos. As mãos envoltas em trapos sangravam. Os pés de todos eram chagas vivas. E, no entanto, eles cantavam!
O sacerdote, com o coração a alegrar-se, cumprimentou e curiosamente, todos juntos responderam à saudação.
E quando o sacerdote lhes perguntou o que estavam a fazer ali, o ar foi inundado com a magnífica resposta.
Todos juntos, com uma voz que denunciava o conhecimento da tarefa empreendida e seu orgulho de a estarem a realizar, responderam: -Ah! nós aqui estamos a construir um templo…
Uma mesma tarefa, pontos de vista diferentes!
Com a epígrafe da semana pense em que grupo de trabalhadores se encontra inserido: "Siga a sua bem-aventurança, lá onde há um profundo sentido do seu ser, lá onde seu corpo e a sua alma querem ir." Joseph Campbell
Psicoterapeuta e Hipnoterapeuta
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Comentários
Obrigado por esta linda história!
Grata. Eliana Medeiros Borges
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