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A ‘Minha’ Motivação Me Pertence? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

 

Não há novidade ao afirmar que o nosso comportamento é influenciado, há muito tempo, pelos valores sociais atribuídos a comida e ao peso.

 

Cirurgia


O que talvez algumas pessoas não saibam é que, no Séc. XVI, a moda era estar acima do peso. Isto mesmo, você não leu errado: ACIMA do peso. Desta forma, era desejável comer em excesso, ao passo que ser muito magro era um sinal de inferioridade social e até mesmo de doença.


Exatamente o oposto do descrito acima, o cenário atual atribui a magreza « ao conceito de “ser chique”, “por dentro da moda” e “uma pessoa de sucesso”.

 

O mais incrível, é que após tantos direitos conquistados com coragem e determinação de quem ousou “rasgar sutiãs”, as mulheres do século XXI driblam a jornada dupla, tripla ou até quádrupla de profissionais, mães, amantes e amigas, mas, ainda se curvam diante da ditadura da beleza.

 

As mais feministas poderiam afirmar que se trataria  de uma ‘armadilha’ muito bem pensada pelo sexo oposto para nos tirar a possibilidade de equivalência no poder.


Estamos na era da tecnologia máxima, não só da informática, mas também dos procedimentos relacionados com tão desejada beleza, e, estranhamente, parecemos gatinhar na maturidade das nossas decisões.

 

Uma cirurgia plástica, por exemplo, altera a maneira como você irá se enxergar para sempre (ou até a próxima intervenção, ao menos) e desde sempre. Mas, ainda assim, há quem opte pela mesma como uma decisão súbita e levada por influências externas diversas como família, namorado, amigos e até mesmo por relacionamentos sem qualquer tipo de afeto como o que temos com a Mídia.


Sendo reparadora ou estética, a cirurgia plástica  traz a possibilidade de nos sentirmos bem diante de algo que nos incomoda, mas requer cuidados  como: uma sincera avaliação das próprias motivações, a busca de um profissional de confiança que tenha feito especialização na área  disponibilizando referências e depoimentos de pacientes, planeamento financeiro e avaliação da clínica ou hospital onde a cirurgia será realizada. Assim, a varinha de condão ainda é realidade apenas para a Cinderela e a sua fada madrinha.


Um bom profissional irá conduzir o paciente a questionamentos como o grau de insatisfação diante de uma ‘imperfeição´, o grau de alteração física realmente existente e a proposta da cirurgia e resultado. Uma alteração física quando existente, é de facto, objetivo e indiscutível, mas, quando o incômodo psicológico é desproporcional à questão física, a intervenção deve ser repensada.

 

A Psicologia de Imagem, responsável pela busca do equilíbrio entre a imagem “real”e a “desejada”, é de grande auxílio neste contexto.

 

O profissional desta área irá agir como um parceiro do paciente no pré-operatório, trabalhando as suas motivações e expectativas, pesando as mais diversas influências e ajudando-o a tomar uma decisão consciente.

 

No pós-operatório, a atuação é ainda de extrema importância e as sessões com o psicólogo, especializado em Psicologia de Imagem, serão fonte de conforto diante da recuperação que é extremamente particular e nem sempre é rápida, indolor e simples, do processo de reconhecimento da nova aparência e do grau de satisfação diante das expectativas anteriores à intervenção.


Você pode e deve fazer o que estiver ao seu alcance para a sua satisfação pessoal, mas deve agir com a mesma maturidade e consciência das nossas antecessoras que sabiam muito bem onde queriam chegar!

 

Por Marjorie Vicente – psicóloga de imagem

Participante do harmoniza

 

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